Edson DahmerOPINIÃO

Digitalizar para competir: o desafio do comércio mato-grossense

Às vésperas do ‘Dia do Consumidor’, o avanço do e-commerce brasileiro revela um desafio estratégico: Mato Grosso ainda precisa ampliar sua presença no comércio digital

Às vésperas do ‘Dia do Consumidor’, celebrado no próximo domingo, 15 de março, os números do comércio eletrônico, cada vez mais relevante para o varejo digital, ajudam a compreender a dimensão da transformação em curso.

O e-commerce no Brasil segue em trajetória consistente de expansão. Em 2025, o setor movimentou R$ 235,5 bilhões, crescimento de 15,3% em relação ao ano anterior, segundo a Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (Abiacom). Para 2026, a projeção se aproxima de R$ 260 bilhões.

Os números revelam um consumidor cada vez mais digital. Mulheres lideram as compras online, a classe C concentra mais da metade das transações e o ticket médio supera R$ 500. A digitalização do consumo deixou de ser tendência: é uma realidade consolidada.

Em Mato Grosso, no entanto, o cenário exige atenção estratégica.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que as vendas on-line de empresas mato-grossenses caíram 19% no último ano, passando de R$ 630 milhões para R$ 510 milhões. No mesmo período, consumidores do estado gastaram R$ 3,5 bilhões comprando pela internet de empresas sediadas em outras regiões.

Em termos simples: o dinheiro do mato-grossense está saindo do estado.

No ranking nacional da Abiacom, Mato Grosso representa apenas 1,57% do volume de vendas on-line, ocupando a 14ª posição. O contraste é evidente quando se observa que mais de 96% das empresas abertas no estado são micro e pequenas, justamente o perfil que mais poderia se beneficiar do comércio eletrônico.

O problema não é falta de mercado. O e-commerce brasileiro cresce de forma robusta. O desafio está na presença digital das empresas locais.

A pesquisa ‘Maturidade Digital dos Pequenos Negócios em Mato Grosso’ aponta que três em cada cinco empresários ainda não possuem site próprio. Mais da metade não está cadastrada sequer nas ferramentas básicas de busca. Isso significa que muitos negócios simplesmente não aparecem quando o consumidor pesquisa por produtos ou serviços.

O varejo contemporâneo é híbrido. O cliente pesquisa online, compara preços, verifica avaliações e decide onde comprar. A integração entre loja física e canais digitais – o modelo “figital” – tornou-se padrão competitivo.

Estar fora desse ambiente não é apenas uma escolha operacional. É um risco estratégico.

A digitalização não exige investimentos elevados, mas planejamento. Um site funcional, presença estruturada nas redes sociais, cadastro nas plataformas de busca e uso adequado de anúncios digitais já ampliam significativamente a visibilidade de um negócio. Com organização logística e estratégia comercial, pequenas empresas podem expandir mercado e reter receita no próprio estado.

Há também um aspecto de desenvolvimento regional. Fortalecer o comércio digital local significa manter renda circulando em Mato Grosso, gerar empregos e ampliar a competitividade das cadeias produtivas.

Nesse processo, a qualificação profissional tem papel relevante. A transformação digital exige competências em marketing on-line, análise de dados, gestão de tráfego e uso estratégico de tecnologias. A educação profissional pode apoiar empresários e trabalhadores na construção dessas habilidades, alinhadas às demandas reais do mercado.

O crescimento nacional do e-commerce indica um movimento estrutural. Estados que prepararem seus negócios para competir nesse ambiente estarão melhor posicionados nos próximos anos.

Mato Grosso não pode ser apenas consumidor digital. Precisa ocupar seu espaço como fornecedor competitivo no comércio eletrônico.

Digitalizar é, hoje, uma decisão estratégica para quem deseja crescer e permanecer relevante.

Edson Dahmer: Diretor regional do Senac em Mato Grosso. Atua na articulação entre educação profissional, desenvolvimento econômico e inovação para o setor do comércio de bens, serviços e turismo.

Os artigos são de responsabilidade de seus autores*

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