Juiz do CEJUSC de Rondonópolis fala a diretores escolares de 14 municípios sobre benefícios da Justiça Restaurativa

Inaugurando o ano letivo de 2026 em um passo decisivo para a transformação do ambiente escolar na região sudeste de Mato Grosso, o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSC) de Rondonópolis, sob coordenação do juiz Wanderlei José dos Reis, realizou, nesta quarta-feira (11), das 8h da manhã em diante, uma palestra estratégica voltada aos diretores de todas as escolas estaduais de Rondonópolis e de 14 municípios vizinhos, sanando dúvidas e fazendo esclarecimentos aos educadores sobre a metodologia nas escolas.
O encontro, sediado na Diretoria Regional de Educação (DRE) e transmitido também por videoconferência a todo o polo regional da região sudeste do estado, reuniu os gestores escolares para debater a implementação da Justiça Restaurativa no ano letivo de 2026, também envolvendo o combate ao bullying e à violência no contexto escolar.

Durante o evento conduzido pelo juiz Wanderlei José dos Reis, coordenador do CEJUSC, titular da 2ª Vara de Família e Sucessões e diretor substituto do foro de Rondonópolis e coordenador suplente do NUPEMEC/MT, foi apresentada detalhadamente a estrutura do programa de Justiça Restaurativa, em âmbito estadual e local, bem como as normativas vigentes que dão amparo legal e institucional à sua aplicação no âmbito da Secretaria de Estado de Educação (SEDUC) e os benefícios da aos alunos, profissionais da educação e familiares da aplicação da metodologia no ambiente escolar.
O objetivo da palestra foi garantir que no início do ano letivo os gestores tenham segurança jurídica e técnica para implementar os Círculos de Construção de Paz como metodologia oficial de resolução de conflitos em todas as escolas estaduais de Rondonópolis e região.
Na oportunidade, o juiz coordenador do CEJUSC de Rondonópolis reforçou a importância da união entre o Judiciário e a Educação para a construção de uma sociedade menos litigiosa. “Nosso objetivo ao reunir todos os diretores do polo regional é oferecer uma alternativa real e eficaz à punição pura e simples. A Justiça Restaurativa na escola não é apenas uma técnica de mediação, é uma mudança de paradigma. Queremos que o ambiente escolar seja um solo fértil para a responsabilidade e para o respeito mútuo. Diferente dos métodos punitivos tradicionais, a Justiça Restaurativa foca na reparação do dano e no fortalecimento dos vínculos interpessoais, transformando o bullying, por exemplo, de um problema meramente disciplinar em uma oportunidade de aprendizado emocional.”
De acordo com o magistrado coordenador do CEJUSC, a palestra logo no início do ano letivo foi estratégica e foi um sucesso atingindo 100% dos diretores do polo da Diretoria Regional de Educação de Rondonópolis com mais de 60 unidades escolares distribuídas aqui e em 14 municípios vizinhos, garantindo que o conhecimento sobre a Justiça Restaurativa chegue efetivamente às salas de aula de dezenas de comunidades da região e beneficia milhares de alunos.
Para o juiz Wanderlei Reis, “Quando o diretor escolar compreende as normativas da SEDUC e se sente amparado pelo CEJUSC, ele tem a segurança necessária para usar da ferramenta dos Círculos de Construção de Paz e, assim, transformar a realidade de sua escola, tratando o conflito antes que ele se torne um processo judicial ou um mal maior”, afirmou o magistrado.
Outro momento marcante do encontro foi a exibição de uma fala especial, gravada em Cuiabá, da presidente do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NUGJUR), desembargadora Clarice Claudino da Silva, em mensagem endereçada exclusivamente ao público de Rondonópolis, onde a magistrada incentivou a participação efetiva de facilitadores e gestores no processo, destacando que o NUGJUR é um parceiro constante da comunidade e reforçando que as práticas restaurativas são, comprovadamente, o melhor caminho para a pacificação no ambiente escolar, pois organizam o diálogo e restauram as relações de forma profunda e duradoura.
Para a diretora regional de Educação de Rondonópolis, Andreia Cristiane de Oliveira, que é facilitadora, a palestra realizada nessa manhã pelo juiz Wanderlei José dos Reis foi de grande relevância, alcançando tanto o público presente no auditório da DRE quanto aqueles que acompanharam o evento de forma virtual, já que o conteúdo também foi disponibilizado por meio das plataformas digitais ao vivo. “Esse momento de diálogo com os diretores sobre os Círculos de Construção de Paz é extremamente importante. Estamos iniciando o ano letivo, com cerca de 15 dias de aula, e trabalhar questões como empatia, escuta ativa e práticas restaurativas, por meio dos círculos, é fundamental. Muitas vezes, temos estudantes que enfrentam problemas familiares ou dificuldades no entorno escolar, e essas situações, quando não acolhidas e trabalhadas adequadamente, acabam se refletindo dentro da unidade escolar em forma de indisciplina, conflitos, violência e, em alguns casos, agressões a professores e colegas. Por isso, abordar essas questões sob a perspectiva da Justiça Restaurativa, a partir da palestra do Dr. Wanderlei e dessa nova proposta de trabalho com os profissionais da escola, é essencial.”
Da mesma forma, o professor Danilo Renato, diretor da Escola Estadual Professora Amélia de Oliveira Silva, também elogiou o evento do Judiciário conduzido pelo juiz Wanderlei e destacou os resultados positivos da iniciativa na unidade escolar. “As nossas impressões em relação aos Círculos de Construção de Paz são as mais positivas possíveis. Na nossa escola, contamos com duas professoras facilitadoras que, dentro das possibilidades, atuam sempre que identificamos situações que podem gerar ou que já estejam gerando conflitos. Nessas ocasiões, elas conduzem todo o processo do Círculo de Construção de Paz. Percebemos que, durante os círculos, os estudantes se sentem mais à vontade para se abrir, dialogar com os colegas, expor sua realidade e também seus incômodos. Com bastante frequência, essas situações são mediadas e transformadas, promovendo um clima maior de acolhimento, tranquilidade e respeito dentro da escola.”
Já o professor Jordan Costa Talon, diretor da Escola Estadual Ramiro Bernardo, ressaltou a relevância da iniciativa, destacando a contribuição do evento para o fortalecimento das práticas restaurativas no ambiente escolar e parabenizando o palestrante pela condução do tema. “A palestra de hoje do Dr. Wanderlei foi muito importante e vai ao encontro da realidade das escolas. Esse tipo de iniciativa tem nos ajudado a construir um ambiente de paz, um espaço mais propício à aprendizagem e ao desenvolvimento dos nossos alunos. Quando trabalhamos a escuta ativa, o fortalecimento dos valores e o diálogo dentro da escola, conseguimos criar um ambiente em que os alunos se sentem acolhidos e respeitados. Isso é fundamental para nós, diretores, e para toda a comunidade escolar.”
A iniciativa de Rondonópolis reforça o papel do Judiciário como um motor de transformação social preventiva. Com a capacitação realizada nesta data pelo juiz coordenador do CEJUSC Wanderlei Reis, a expectativa é de uma redução significativa nos índices de conflitos escolares e um aumento na sensação de pertencimento entre alunos e profissionais da educação estadual local com mais de 20 mil alunos.
Fonte: Da Assessoria



